Arte, cultura e ancestralidade. A exposição Transitar o Tempo, que reúne as obras de 30 artistas capixabas, na Casa Porto das Artes Plásticas, em Vitória, abre ao público nesta quarta-feira, dia 04 de dezembro, e segue até 30 de março de 2025. Realizada pelo Museu Vale em seu momento extramuros, ela contempla diversas formas de arte, como entalhe em madeira, instalações, esculturas, fotografias, tecelagem, cerâmica e pinturas, e tem visitação gratuita.
A mostra, que conta com curadoria de Nicolas Soares e Clara Pignaton, propõe uma travessia entre gerações de artistas conectados por um recorte geográfico – todos vivem e produzem arte no Espírito Santo –, com trajetórias distintas, memórias e linguagens artísticas que trazem à tona a complexidade do tempo e da arte, que está em constante reinvenção.
Com mais de 40 obras, entre peças inéditas ou cedidas pelos artistas por meio de galerias parceiras, a exposição revela olhares e interpretações diferentes sobre o contexto sociocultural capixaba.
“A exposição Transitar o Tempo convida o público a refletir sobre o movimento dinâmico do tempo a partir de diferentes linguagens e pontos de partidas. O Museu Vale propõe um campo aberto à criação de novas perspectivas, um espaço onde a arte contemporânea inspira novos ciclos ao promover um encontro entre gerações de artistas capixabas”, diz Claudia Afonso, diretora do Museu Vale.
Obra de Natan Dias. Foto: Claraboia (@claraboiaimagem)
Os horários para visitação são de terça a sexta, das 8h às 17h, e sábados e domingos, das 9h às 16h. As visitas educativas para escolas podem ser agendadas pelo telefone (27) 9 9252-7525.
A exposição
‘Transitar o Tempo’ tem curadoria de Nicolas Soares e Clara Pignaton, e reúne uma diversidade de artistas que vão desde jovens a veteranos inseridos na cena capixaba, a partir de uma reflexão sobre suas trajetórias e práticas artísticas. Esta mescla reflete sobre como o tempo e as gerações se encontram e se transformam dentro da produção artística contemporânea.
Segundo o curador Nicolas Soares, a exposição nos permite olhar para outras ideias de tempos, e como estão associados às culturas, saberes e fazeres. Diferentes narrativas que se reconfiguram constantemente através da experiência única no presente.
“Ao promover encontros entre diferentes gerações de artistas e práticas, a curadoria desta exposição propõe um espaço de fricção, no qual as narrativas e as poéticas se confrontam e se encontram. Artistas não só das artes visuais, como também da dança e da música. Artistas que não estão definidos em categorias: como mestres e mestras tradicionais da cultura capixaba. Artistas que não necessariamente estão no circuito, podendo abrir novos. A exposição atravessa uma perspectiva da cultura das artes visuais capixaba”.
Obra de Charlene Bicalho. Foto: Claraboia (@claraboiaimagem)
A exposição conta com a participação dos artistas Antonio Rosa, Bárbara Carnielli, Bruno Cabuz, Bruno Zorzal, Charlene Bicalho, Dilma Góes, Dona Antonia, Euzira Neves, Fredone Fone, Geovanni Lima, Gessé Paixão, Grupo Barra de Renda, Kika Carvalho, Liliana Sanches, Luciano Feijão, Marcos Martins, Marcus Vinicius, Matheusa, Meuri Ribeiro, Natan Dias, Natanael Souza, Paulo Fernandes, Renato Ren, Reuto, Ronaldo Mateus Lima, Rosana Paste, Rubiane Maia, Yurie Pam, Yurie Yaginuma & Jéssica Maria.
Visitas educativas e Programa Aprendiz
A exposição contará com o projeto educativo “O tempo, a roda e a criação”. Nas atividades, crianças, jovens e adultos terão a possibilidade de entender o processo criativo para o desenvolvimento das produções artísticas capixabas, a partir de visitas mediadas, formação com professores e educadores, e oficinas práticas e experimentais para grupos diversos.
Desenvolvido em parceria com a arte-educadora Tatiana Rosa, o objetivo do projeto educativo é criar uma imersão para os visitantes, onde eles possam vivenciar a materialização dos conceitos trabalhados nas obras da exposição.
O Museu Vale também realiza, desde 2005, o Programa Aprendiz, que promove formação em áreas ligadas à montagem de exposições, para jovens de comunidades da Grande Vitória, em parceria com o Senac.
Durante o período de montagem e instalação da exposição Transitar o Tempo, os jovens têm a oportunidade de participar de aulas e oficinas com curadores, pesquisadores, professores e demais profissionais ligados às disciplinas de curadoria e arte, cultura e direito à cidade, e preparação de espaços expositivos.
Marcus Vinicius. Foto: Claraboia (@claraboiaimagem)
Exposição Transitar o Tempo
Visitação: de 4 de dezembro de 2024 a 30 de março de 2025
Funcionamento: Terça a sexta: 8h às 17h | Sábados e domingos: 9h às 16h
Local: Casa Porto das Artes Plásticas (Praça Manoel Silvino Monjardim, 66 – Centro, Vitória)
Entrada Gratuita
Classificação livre
Agendamento para grupos escolares: (27) 9 9252-7525
A Revista Traços, um projeto cultural e social que une jornalismo, arte e geração de renda, chega ao Espírito Santo no mês de março. Realizado pela Secretaria da Cultura (Secult), em parceria com a Associação Traços de Comunicação e Cultura, a publicação será lançada no dia 27 de março, às 19 horas, no Theatro Carlos Gomes, Centro de Vitória, com a presença da artista Elisa Lucinda, capa da primeira edição.
Inspirada no modelo internacional das publicações de rua, a Traços é vendida por pessoas em situação de vulnerabilidade social, os chamados porta-vozes da cultura, que encontram na venda da revista uma oportunidade de trabalho, autonomia e reinserção social. Ao longo de sua trajetória, o projeto já promoveu o trabalho de mais de 4 mil artistas e recebeu mais de 16 prêmios, nacionais e internacionais.
Com circulação há mais de dez anos em Brasília e cinco anos no Rio de Janeiro, a Traços se tornou uma referência no jornalismo cultural independente no país. A revista publica reportagens, perfis, ensaios fotográficos, entrevistas, crônicas e poesias, sempre com foco na produção artística e na valorização de criadores locais.
A expansão para o Espírito Santo prevê a produção de edições dedicadas exclusivamente à cena cultural capixaba, além da formação de uma nova rede de porta-vozes da cultura no Estado. A iniciativa conta com o fomento da Secretaria da Cultura, que vai atuar na articulação com artistas, coletivos e instituições locais, buscando ampliando a visibilidade do projeto no contexto da economia criativa. Na primeira edição, a publicação terá na capa a atriz e poetisa capixaba Elisa Lucinda, além de reunir uma série de reportagens e ensaios fotográficos com artistas e agentes culturais do Espírito Santo.
Atualmente, a publicação mantém tiragem média de 3 mil exemplares por edição e já ultrapassou a marca de 100 números publicados nas cidades de atuação. Para além das páginas impressas, a iniciativa também consolidou presença no ambiente digital, com publicação diária de conteúdos no portal, ampliando o alcance das pautas culturais.
O projeto também mantém parcerias com instituições como Organização das Nações Unidas (ONU), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), universidades e diversas organizações ligadas à cultura e à economia criativa.
Vale a pena ficar de olho e conferir mais sobre a Revista Traços através do site e instagram.
Roda de conversa com escritoras capixabas aborda o livro “Fogo de Palha”, de Carla Guerson
Programação reúne as escritoras Carla Guerson e Junia Zaidan, a produtora cultural Fabíola Mozine e a influenciadora literária Camilla Dias neste fim de semana
Neste fim de semana, o projeto “Livro por Elas” promove uma programação inteiramente dedicada à literatura produzida por mulheres, com bate-papo online, roda de conversa e oficina com foco no livro de poesia “Fogo de Palha”, da escritora capixaba Carla Guerson. No sábado, 14 de março, às 19h, acontece a Roda de Conversa com Carla Guerson, autora de quatro livros e mediadora de clubes literários, com mediação da escritora e professora universitária, Junia Zaidan. O encontro é gratuito, aberto ao público e acontece na Biblioteca Cine Por Elas, na Casa Cultural 155, no centro de Vila Velha, integrando a programação do festival Rua das Palavras, que reúne diversas atividades literárias no espaço.
Além da roda de conversa, a programação inclui ainda um Bate-papo online na sexta-feira, 13 de março, às 19h, no Instagram de Cine por Elas: instagram.com/cineporelas/. A live contará com a influenciadora literária Camilla Dias e a escritora capixaba Carla Guerson, contando com mediação da produtora cultural e idealizadora do projeto, Fabiola Mozine. E no domingo, 15 de março, das 15h às 18h, Carla Guerson ministra a Oficina de Escrita Criativa – Memória Inventada, que aborda os limites entre realidade e ficção na criação literária A formação acontece na Biblioteca Cine Por Elas e já conta com todas as vagas preenchidas.
Carla Guerson
Na roda de conversa, a obra debatida será “Fogo de Palha” (2023), segundo livro publicado por Carla Guerson e seu primeiro de poesia. No livro, a escrita intensa e afiada da autora contempla os desconfortos, as rupturas e as imperfeições da vida. Na obra e na roda de conversa, a reflexão gira em torno da experiência de ser mulher em questões como morte e vida, amores e desamores, autodescoberta, maternidade, aceitação, solidão e transformação.
O Livro por Elas carrega o propósito de potencializar a criação literária de mulheres e fortalecer a literatura como forma de expressão e resistência feminina, por meio da difusão de obras de autoras capixabas e das trocas de experiências nas oficinas e rodas de conversas, incentivando a leitura e a escrita voltada para o protagonismo das experiências vividas por mulheres. O projeto é uma iniciativa do Instituto Cine Por Elas, que atua há mais de 5 anos na difusão da arte e cultura produzida por mulheres, com foco na defesa de direitos e no combate à violência contra a mulher.
Sexta-feira (13/03) – às 19h Live / Bate-papo online | Carla Guerson e Camilla Dias Local: instagram.com/cineporelas/
Junia Zaidan
Sábado (14/03) – às 19h Roda de conversa | Carla Guerson e Júnia Zaidan Local: Biblioteca Cine Por Elas | Casa Cultural 155 Av. Jerônimo Monteiro, 155 – Centro de Vila Velha, Vila Velha – ES, 29100-400 Entrada: gratuita e aberta ao público
Domingo (15/03) – às 15h Oficina de Escrita Criativa – Memória Inventada | Carla Guerson Local: Biblioteca Cine Por Elas | Casa Cultural 155 Av. Jerônimo Monteiro, 155 – Centro de Vila Velha, Vila Velha – ES, 29100-400 Entrada: inscrições esgotadas.
A procuradora do Estado aposentada Clarita Carvalho de Mendonça lança, no dia 17 de março, o livro Os Vários Mundos de uma Vida, obra que reúne crônicas marcadas por sensibilidade, memória e imaginação. O lançamento será celebrado com uma tarde de autógrafos aberta ao público, das 16h às 20h, no Restaurante Taurus, na Praia do Canto, em Vitória.
Vinda de uma família de grandes leitores, Clarita conta que a escrita sempre fez parte de sua essência. Incentivada pelo pai, Luiz Borges de Mendonça, ela relembra que gostava das aulas de Português “mais do que de todas as outras” na escola. O pai, grande estudioso, foi secretário da Fazenda do ES e presidente do Banestes, onde ingressou como contínuo e progrediu ao maior cargo da instituição. É lembrado pelo caráter, bom trato com as pessoas e dedicação ao serviço público. Fez questão de passar à filha a paixão pelo conhecimento.
Clarita conta que, embora tenha construído uma sólida carreira na advocacia pública, a vontade de escrever permaneceu viva ao longo dos anos. Foi após a aposentadoria que encontrou o tempo necessário para se dedicar com mais profundidade às palavras. Ao revisitar arquivos antigos guardados no computador, descobriu textos que decidiu ressignificar. “A escrita sempre morou em mim”, afirma. Muitas dessas produções ganharam nova forma e passaram a compor o livro, revelando um percurso literário que atravessa diferentes fases da vida.
As crônicas não seguem uma ordem rígida nem se prendem a temas específicos. São construídas a partir de emoções, sensações e experiências do cotidiano. “As minhas crônicas são moldadas em termos de emoções, sentimentos que impregnam o nosso cotidiano”, explica. A autora define a obra como uma miscelânea homogênea que mistura lembranças pessoais com ficção, imaginação e criatividade.
O processo de criação também reflete essa liberdade. Clarita escreve à mão quando tem papel por perto, utiliza o notebook sempre que possível e, não raras vezes, grava áudios no celular quando a inspiração surge no meio do caminho. Depois, transforma essas ideias em texto, lapidando o que chama de “meu escrito”.
Com 50 anos de formada em Direito em 2026 e uma trajetória que inclui atuação na Defensoria Pública e na Procuradoria Geral do Estado, instituição que considera sua casa, Clarita inicia agora um novo capítulo. Em Os Vários Mundos de uma Vida, compartilha com leitores diferentes dimensões de sua história, provando que cada fase da vida pode revelar um mundo inteiro a ser contado.